Santa Comba de Rossas, aldeia do concelho de Bragança com pouco mais de 300 habitantes, acolhe há oito anos o Glamping Hills: seis unidades, piscina, taberna e uma esplanada com vista para as serras. João Madureira, o proprietário, recorda que foi o primeiro alojamento desta tipologia no País. “Somos pioneiros em Portugal no conceito de glamping”, afirma. A ideia chegou-lhe pelo caminho mais improvável: “Vi uma publicação nas redes sociais com este nome e surgiu a curiosidade.”
O projeto arrancou virado para o estrangeiro e depressa mudou de rumo. “Quem nos começou a procurar foi o cliente português do litoral, cansado do turismo massificado. Mas somos visitados por pessoas do mundo inteiro”, realça com orgulho. Ao fim de oito anos, começam a repetir-se as caras. “Já começamos a ter muito cliente fidelizado. Temos clientes que ficam 15 dias, três semanas.” A escala explica boa parte da experiência: com 24 pessoas no máximo, raramente há mais gente na propriedade do que numa casa de família alargada. A noite para duas pessoas custa 85€, com pequeno-almoço incluído, mas João Madureira salienta que é sempre feita uma atenção a repetentes e a estadias alargadas.
O restaurante é a outra metade da proposta e não é decorativo. A cozinha é, nas palavras de João Madureira, “gastronomia tradicional, de conforto”: caça, javali no pote, cozido português no pote, feijoada caseira, alheira assada na brasa, café feito na cafeteira sobre a brasa. As sobremesas seguem o que a época dá. Parte das preparações é feita pelos próprios clientes, que participam no processo. No verão o restaurante funciona todos os dias; fora de época, só por reserva e com um mínimo de 10 pessoas. A esplanada e a taberna, essas, estão abertas a qualquer pessoa, de manhã até ao pôr do sol, o que numa aldeia deste tamanho faz do glamping menos um enclave turístico e mais um ponto de encontro.
O calendário não fecha com o fim do verão. “Nós temos parcerias com três agências de viagens com quem já fazemos a apanha da castanha do modo tradicional”, explica, referindo-se aos finais de outubro e a novembro. “Oferecemos magusto feito no chão, onde são as pessoas que fazem o seu bilhó, castanha assada na brasa. Temos o outono preenchido por essas atividades.” A partir de 1 de novembro entram as festas de inverno da região, e com elas o butelo com casulas, os enchidos de Carnaval, o pudim de castanha e uma sequência de doces em torno do marmelo.
O glamping está esgotado desde maio para o eclipse solar de 12 de agosto e prepara um piquenique ao fim da tarde no monte, prolongado noite dentro para observar as Perseidas.
À volta está a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, reconhecida pela UNESCO em 2015 e a maior reserva da biosfera transfronteiriça da Europa, com 1.132.606 hectares distribuídos por 87 municípios, 12 portugueses e 75 espanhóis. É um território de xisto, cabeços arredondados e vales encaixados, que inclui o Parque Natural de Montesinho e onde nidificam a cegonha-preta, o bufo-real e a águia-real. A dois quilómetros da aldeia fica a Capela de Nossa Senhora do Pereiro, rodeada de castanheiros seculares, e nos limites da freguesia sobrevive a desativada Estação de Rossas, que aos 849 metros era o ponto mais alto de toda a rede ferroviária portuguesa, segundo a Junta de Freguesia.





