Vai viajar e está com medo do hantavírus? Eis tudo o que precisa de saber

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O surto de hantavírus num navio de cruzeiro ao largo das Canárias está a preocupar viajantes em todo o mundo. Mas afinal, o que é este vírus, como se transmite e quem corre mais riscos?

O surto de hantavírus detetado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, atualmente ao largo das Canárias, está a gerar preocupação internacional depois de terem sido registadas várias infeções e pelo menos três mortes entre passageiros. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que o caso está a ser acompanhado por autoridades de vários países e admite que poderá estar envolvida a variante Andes, uma das poucas associadas a transmissão entre humanos.

Apesar do alarme gerado pelas notícias, as autoridades de saúde europeias insistem que o risco para a população em geral continua a ser muito baixo. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) refere que os hantavírus “não se propagam facilmente entre pessoas” e que as medidas implementadas no navio ajudam a reduzir o risco de disseminação.

O que é o hantavírus?

O hantavírus é um grupo de vírus transmitido sobretudo através de roedores infetados. Segundo a OMS, a infeção acontece normalmente quando pessoas inalam partículas contaminadas com urina, saliva ou fezes destes animais. Também pode existir transmissão através de contacto com superfícies contaminadas ou mordidelas.

A maioria dos surtos graves associados ao vírus Andes acontece na América do Sul, sobretudo na Argentina e no Chile. Isto porque a variante está ligada a espécies específicas de roedores silvestres presentes naquela região, como o rato-colilargo. Além disso, vários estudos identificaram naquelas regiões alguns dos raros casos de transmissão entre humanos, especialmente entre familiares ou pessoas com contacto próximo prolongado.

Por esse motivo, autoridades de saúde internacionais alertam sobretudo viajantes que visitam zonas rurais, parques naturais, florestas ou alojamentos isolados na América do Sul. O ECDC refere que o risco aumenta em ambientes onde possa existir contacto com excrementos de roedores ou locais pouco ventilados.

Os sintomas iniciais podem parecer uma gripe forte: febre, dores musculares, fadiga, dores de cabeça e náuseas. Nos casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para dificuldades respiratórias severas ou problemas renais. Algumas variantes apresentam taxas de mortalidade elevadas.

Tanto a OMS como o ECDC sublinham que este não é um vírus com transmissão fácil em aviões, aeroportos, hotéis ou praias. O contágio entre humanos continua a ser considerado raro e exige normalmente proximidade intensa e prolongada.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) também já veio tranquilizar os portugueses. Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, afirmou que se trata de “uma situação circunscrita” e que representa “baixo risco para Portugal”.

O que fazer antes de viajar?

Ainda assim, as autoridades deixam alguns conselhos para quem vai viajar:

  • evitar contacto com roedores selvagens;
  • não entrar em cabanas, armazéns ou espaços abandonados sem ventilação;
  • ter cuidado em trilhos e parques naturais;
  • não tocar em fezes ou ninhos de animais.

A OMS refere também que o período de incubação pode variar entre uma e oito semanas, o que significa que os sintomas podem surgir bastante tempo depois da exposição inicial. (who.int)

Apesar do atual surto estar a gerar manchetes em todo o mundo, especialistas lembram que os hantavírus são conhecidos há décadas e que não existe, para já, um cenário de pandemia global semelhante ao da COVID-19. Uma revisão científica publicada na revista “Clinical Microbiology Reviews” em 2010 concluiu que estes vírus devem ser monitorizados devido à elevada mortalidade de algumas variantes e às alterações ambientais que aproximam humanos de habitats de roedores, mas reforça que a transmissão entre pessoas continua a ser rara.

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