Hotel de luxo em Cascais quer despedir 180 trabalhadores. Motivo? Obras

Notícias
O Hotel Cascais Miragem confirmou o despedimento coletivo de cerca de 180 trabalhadores antes de fechar portas para dois anos de obras de remodelação.

O Hotel Cascais Miragem vai encerrar para obras no final de outubro e, com o encerramento, deverão ficar sem trabalho quase duas centenas de trabalhadores. Segundo avançaram o ECO e o “Jornal Económico”, o despedimento coletivo no Hotel Cascais Miragem afeta 177 pessoas — 142 trabalhadores efetivos e 35 contratados a termo —, ficando de fora apenas cinco funcionários administrativos, de um total de 182 colaboradores.

O diretor-geral do hotel, José Branco, confirmou que a medida é “justificada pelas obras de remodelação”. O processo negocial arrancou a 7 de agosto, com uma segunda reunião marcada para esta quarta-feira, dia 19, entre o sindicato e a administração. Contactada pela TRAVEL MAGG, a estrutura sindical não respondeu, até ao fecho desta edição, sobre o resultado desse encontro.

À SIC Notícias, trabalhadores do hotel que se manifestaram esta tarde junto à unidade disseram que o anúncio do despedimento foi feito há cerca de um mês, mas que ainda não receberam o aviso prévio formal — e que o hotel deverá fechar portas no final de outubro.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul contesta a decisão da empresa.  Segundo Luís Batista, dirigente sindical citado pelo ECO, “não existe nexo causal entre as obras e a necessidade de despedir”, defendendo alternativas como formação profissional, suspensão voluntária dos contratos, rescisões por acordo mútuo ou a manutenção dos postos de trabalho com dispensa temporária.

A estrutura sindical considera a medida “profundamente injusta e socialmente inaceitável” e questiona se o processo cumpre os requisitos do artigo 359.º do Código do Trabalho para poder ser qualificado como despedimento coletivo legítimo, tendo já apresentado uma denúncia junto da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). Até agora, a empresa terá aceitado apenas a suspensão dos contratos, rejeitando as restantes propostas do sindicato.

O Hotel Cascais Miragem foi comprado em 2025 ao grupo português GJC Hotels pelas espanholas Ibervalles (família Isidro) e ARD Investment & Development (família Ardid), por 125 milhões de euros, com financiamento do Novo Banco. O negócio integra um investimento total de 205 milhões de euros, dos quais 80 milhões destinados à renovação do imóvel, avançou o Idealista/News.

O plano de reposicionamento prevê transformar a unidade num complexo de luxo com 87 quartos e 37 residências de marca (“branded residences”), complementado por espaços de restauração, piscinas, ginásio, spa e áreas para reuniões e eventos — com reabertura prevista para o primeiro trimestre de 2028.

VEJA TAMBÉM

Em destaque

Scroll to Top