A 12 de agosto, a sombra da Lua atravessa Espanha de noroeste a sudeste, ao final da tarde, num fenómeno que a Península Ibérica não presenciava há mais de 100 anos. A faixa de totalidade entra pela Galiza, percorre o interior de Castela e Leão e Aragão, e termina sobre as Ilhas Baleares, já perto do pôr do sol. Uma pequena faixa do nordeste de Portugal também fica dentro dessa linha, mas é em Espanha que o fenómeno atinge maior duração e reúne o maior número de cidades preparadas para receber visitantes.
Um eclipse solar total ocorre quando a Lua se posiciona exatamente entre a Terra e o Sol, cobrindo por completo o disco solar numa faixa estreita da superfície terrestre, conhecida como faixa de totalidade. Fora dela, o fenómeno é visível apenas de forma parcial, com o Sol parcialmente tapado pela Lua. Durante os instantes de totalidade, o dia transforma-se subitamente em noite, a temperatura desce alguns graus e o céu ganha uma tonalidade azulada, permitindo observar a olho nu a coroa solar.
Em Espanha, o eclipse parcial tem início por volta das 19h30, hora peninsular, e a totalidade percorre o país entre aproximadamente as 20h27 e as 20h33, consoante a localização. A fase parcial prolonga-se depois até cerca das 21h20, em muitos casos já muito perto do pôr do sol, o que faz deste eclipse um fenómeno particular: o Sol estará sempre baixo no horizonte, e a observação exige um ponto com boa visibilidade a oeste.
Sugerimos quatro cidades espanholas dentro da faixa de totalidade, onde vai ser possível observar este fenómeno em todo o seu esplendor.
Burgos
Em Burgos, o eclipse parcial começa por volta das 19h33, atinge o máximo às 20h29 e termina cerca das 21h20, já próximo do pôr do sol. A totalidade decorre entre as 20h28 e as 20h30, durante aproximadamente 1 minuto e 45 segundos, com o Sol a cerca de 9,6 graus de altura sobre o horizonte. A cidade situa-se na Meseta castelhana, uma zona com boas probabilidades de céu limpo em agosto, o que a torna um dos pontos mais fiáveis da Península para observar o fenómeno.
Para quem viajar até Burgos nesse dia, a Catedral de Burgos, Património Mundial da UNESCO, é a visita incontornável, com o túmulo do Cid Campeador, o relógio automático do Papamoscas e a Capela dos Condestáveis. Nas imediações, o Arco de Santa María marca a entrada no centro histórico, enquanto o Museu da Evolução Humana e o sítio arqueológico de Atapuerca, a poucos quilómetros da cidade, atraem quem se interessa pela história mais remota da região. O Castelo de Burgos, no ponto mais alto da cidade, oferece um dos melhores miradouros sobre o casco histórico e pode também ser um local privilegiado para acompanhar o eclipse.
León
Em León, a totalidade decorre entre as 20h28 e as 20h30, com uma duração aproximada de 1 minuto e 45 segundos e o Sol a cerca de 9,6 graus de altura. A magnitude prevista é de 1,03, valor que confirma a cobertura total do disco solar. É a primeira vez em mais de um século que a cidade volta a assistir a um eclipse solar total, e as zonas montanhosas a norte, mais próximas da linha central do eclipse, poderão registar uma totalidade ligeiramente mais longa.
Na cidade, a Catedral de Santa María de Regla, conhecida como a Pulchra Leonina, destaca-se pelo conjunto de vitrais entre os mais extensos da Europa. A Casa Botines, obra de Gaudí, e o Palácio dos Guzmanes ficam a poucos passos, tal como a Basílica de San Isidoro, um dos monumentos românicos mais relevantes de Espanha. O Barrio Húmedo, com as suas tabernas onde cada bebida é servida com uma tapa incluída, é o ponto de encontro natural ao final do dia, antes ou depois da observação do eclipse.
Saragoça

Em Saragoça, o eclipse parcial arranca por volta das 19h34 e a totalidade ocorre entre as 20h29 e as 20h30, com uma duração de cerca de 1 minuto e 24 segundos e o Sol a cerca de 8 graus de altura. O vale do Ebro tem, segundo várias fontes meteorológicas, a maior probabilidade de céu limpo de toda a faixa de totalidade em Espanha, o que se soma à boa rede de transportes: a cidade tem ligação por comboio de alta velocidade a pouco mais de uma hora de Madrid e de Barcelona.
A Basílica de Nuestra Señora del Pilar, com os frescos de Goya e o miradouro na Torre de San Francisco de Borja, é o ponto de partida natural de qualquer visita, na praça do mesmo nome. A poucos metros, a Seo do Salvador combina elementos góticos e mudéjares, enquanto o Palácio da Aljafería, também Património Mundial, é o testemunho mais relevante da arquitetura islâmica em Aragão. O bairro do Tubo, com as suas ruas estreitas dedicadas às tapas, e a Puente de Piedra sobre o rio Ebro completam um roteiro que se encaixa facilmente antes do início do eclipse.
Palma de Maiorca

Em Palma, a totalidade acontece entre as 20h31 e as 20h33, com uma duração de cerca de 1 minuto e 36 segundos, mas com o Sol a apenas 2,4 graus de altura sobre o horizonte. O pôr do sol ocorre por volta das 20h49, poucos minutos depois do fim da totalidade, o que torna Palma o local onde o fenómeno mais se aproxima do horizonte marítimo. A observação exige, por isso, um ponto com vista desimpedida para poente, idealmente voltado para o mar.
A Catedral de Maiorca, ou La Seu, com o seu rosetão gótico e as intervenções de Gaudí e Miquel Barceló no interior, domina o perfil da cidade e pode ser observada a partir do Parc de la Mar, aos seus pés. Em frente, o Palácio Real da Almudaina conserva elementos da antiga residência do governador muçulmano da ilha. O centro histórico, com os seus pátios senhoriais entre a Catedral e a Praça de Santa Eulàlia, e o Castelo de Bellver, com vista sobre toda a baía, são pontos que permitem combinar história e paisagem antes do momento em que o Sol desaparece por completo no horizonte.
A observação direta do Sol nunca é segura sem proteção adequada, e este eclipse não é exceção. Durante toda a fase parcial, é indispensável o uso de óculos certificados segundo a norma ISO 12312-2, já que óculos de sol comuns não filtram a radiação solar de forma suficiente.
Só durante os segundos ou poucos minutos de totalidade, quando o disco solar fica completamente coberto pela Lua, é seguro observar o fenómeno a olho nu; assim que reaparecer o primeiro raio de sol, os óculos de proteção devem voltar a ser colocados de imediato.
