MICHELIN 2026: quanto custa dormir nestas 5 obras-primas de arquitetura e design?

Raquel Costa
Hotéis
A 18 de setembro, o Guia MICHELIN revela as distinções de 2026 e atribui o prémio de Arquitetura e Design a um de cinco hotéis nomeados. Veja quanto custa dormir em cada um.

A Chave MICHELIN, o equivalente hoteleiro da estrela atribuída a restaurantes, regressa em 2026 para mais uma ronda de distinções aos melhores alojamentos do planeta. A 18 de setembro, o Guia MICHELIN revela, pelo segundo ano consecutivo, a sua seleção dos hotéis mais notáveis do mundo, atribuindo ainda quatro prémios especiais, cada um distinguindo a excelência numa dimensão diferente da hotelaria.

Um deles é o prémio de Arquitetura e Design, cujos cinco nomeados de 2026 têm em comum uma ideia: a arquitetura não se limita a servir a experiência do hóspede — é a própria experiência. Os inspetores do Guia MICHELIN selecionaram estes cinco hotéis como nomeados.

 

1. Mandarin Oriental Qianmen (Pequim, China)

Mandarin Oriental Qianmen (Pequim, China)
Mandarin Oriental Qianmen (Pequim, China)

Numa clara mudança de registo para o grupo Mandarin, este hotel de luxo segue o modelo das casas hutong do bairro de Qianmen, substituindo quartos e suites por habitações organizadas em torno de pátios centrais, e combinando arquitetura tradicional com o conforto e o design contemporâneos.

A estrutura de um bairro hutong remonta ao século XIII e pode descrever-se como um conjunto de pátios rodeados por pequenas casas térreas. Embora o número de bairros deste tipo tenha diminuído drasticamente em Pequim, o Mandarin Oriental restaurou cuidadosamente um dos mais antigos, instalando os hóspedes num bairro residencial no centro da cidade, por vezes mesmo ao lado de casas habitadas. Depois de um processo de renovação de oito anos, grande parte do tijolo e da telha original, com até 600 anos, foi preservada, tal como as vigas de madeira e as árvores dos pátios, integrando o conforto habitual da marca com naturalidade. O resultado é uma experiência íntima, num contraste marcado com os hotéis-arranha-céus mais comuns no resto do continente.

Uma noite em setembro custa a partir de 1.644€.

2. The Maybourne Riviera (Roquebrune-Cap-Martin, França)

The Maybourne Riviera (Roquebrune-Cap-Martin, França)
The Maybourne Riviera (Roquebrune-Cap-Martin, França)

Um recorte dramático sobre a falésia encontra o seu par numa estrutura modernista igualmente marcante. Ao contrário de outros hotéis de luxo com este perfil, que optam por estilos mais conservadores, o Maybourne Riviera assume uma identidade visual muito própria, sem nunca perder o requinte. O edifício desenvolve-se ao longo da rocha, num projeto que levou anos a concluir, com mobiliário modernista, jardins e terraços que disfarçam a vertigem do local — uma das propriedades mais distintas da região, com vista privilegiada sobre o Mediterrâneo e a Côte d’Azur.

Dos três níveis que compõem o edifício, o intermédio é o mais surpreendente: sete suites escavadas na própria rocha, criando um lugar muito particular, reforçado pelos tons minerais claros, os grandes envidraçados e as linhas que acompanham as curvas da paisagem.

Uma noite em setembro custa desde 2.700€.

3. The Lindis (Omarama, Nova Zelândia)

The Lindis (Omarama, Nova Zelândia)
The Lindis (Omarama, Nova Zelândia)

Há 10 mil anos, o recuo dos glaciares esculpiu o vale de Ahuriri, deixando uma paisagem plana rodeada de montanhas. Anos mais tarde, o The Lindis surgiu — ou melhor, desapareceu — nesta topografia, com o telhado do lodge principal desenhado para imitar a cordilheira ao fundo.

Os hóspedes entram por uma galeria escura e emergem num grande salão de janelas altas, entregues por completo à vista sobre o vale.Visto do exterior, o perfil baixo do edifício, revestido a painéis de madeira spotted-gum, funde-se com a paisagem glaciar, tal como o conjunto de quartos-cápsula espelhados.

O lodge, com 670 metros quadrados, foi construído para resistir às condições extremas da região, com bomba de calor geotérmica, aquecimento radiante no chão e caixilharia de vidro com corte térmico. Entre os destaques do projeto contam-se três quartos-cápsula de vidro com banheiras de exterior aquecidas a gás e deck privado, o telhado curvo em grelha lamelar do lodge principal e um pavilhão de refeições isolado da rede elétrica, situado no ponto mais alto do vale.

O hotel já foi distinguido com duas MICHELIN Keys. Uma estadia de duas noites custa a partir de 4.112,48€.

4. Desert Rock Resort (Umluj, Arábia Saudita)

Como o nome sugere, o Desert Rock Resort quase desaparece nas escarpas das montanhas de Hijaz, enquanto o design minimalista das acomodações traz a paisagem para dentro através de grandes janelas do chão ao teto. As civilizações nabateias escavavam outrora habitações na rocha árabe — e é essa mesma relação com a paisagem que os hóspedes encontram hoje, seja nas vilas junto ao solo do deserto, nas vilas suspensas entre rochas ou nas suites talhadas diretamente na montanha.

A única quebra na paisagem envolvente são as piscinas de imersão privadas. A iluminação suave, pensada para minimizar a poluição luminosa, dá ao resort, à distância, um aspeto de lanterna acesa. A rocha escavada durante a construção foi reaproveitada para criar escadas, pontes e caminhos por onde os hóspedes se deslocam, muitas vezes de buggy. O resort organiza-se em quatro categorias de quarto que sobem do fundo do vale até à montanha, entre as quais se destaca uma Royal Villa de três quartos com 1.107 metros quadrados distribuídos por vários pisos, além de dez suites talhadas diretamente na rocha, com piscinas de imersão sobre o desfiladeiro. Fica a 20 minutos de carro do Aeroporto Internacional do Mar Vermelho.

Uma estadia custa a partir de 1.598,40€.

5. Ambiente, A Landscape Hotel (Sedona, Estados Unidos)

Ambiente, A Landscape Hotel (Sedona, Estados Unidos)
Ambiente, A Landscape Hotel (Sedona, Estados Unidos)

Numa região particularmente marcada pelo kitsch do sudoeste americano, o Ambiente segue uma direção contemporânea, ainda que igualmente atenta à paisagem e às tradições do lugar. Desde o início do projeto, o objetivo foi pôr em destaque o cenário envolvente, a rocha vermelha de Sedona e a vegetação nativa: 40 quartos em forma de cubo, chamados Atriums, ficam suspensos sobre estacas acima do solo do deserto, preservando o terreno e os cursos de água por baixo.

Cada tipologia recebe o nome de um elemento da paisagem que a rodeia — os Star Atriums têm terraços para observar as estrelas, os Creekside Atriums olham para as linhas de água, os Reflection Atriums refletem-se entre as árvores e os Landscape Atriums abrem-se às vistas mais amplas. Os materiais foram escolhidos com o mesmo cuidado: o vidro com tonalidade bronze reflete o sol do Arizona, enquanto os interiores em tons terrosos mantêm o olhar fixo no exterior, numa experiência que uma linha de água recuperada, a atravessar todo o espaço, ajuda a tornar serena.

Uma noite custa desde 960,58€.

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