Quase duas semanas depois do episódio ter começado a correr o mundo, o grupo Aman reagiu, finalmente, à polémica que envolve o Amanvari e o criador de conteúdos norte-americano Ryan Walker. Em declarações ao “Wall Street Journal”, um porta-voz da cadeia hoteleira acusou o influencer de ter editado “de forma enganosa” o vídeo em que alega ter sido impedido de entrar no resort e escoltado pela polícia, e garante que o relato “não reflete com exatidão as circunstâncias do incidente”.
Ryan Walker, crítico de hotéis que paga do próprio bolso as estadias que depois avalia no YouTube, tentou fazer check-in no Amanvari a 3 de agosto — três dias depois da inauguração do resort — tendo sido impedido de entrar por um segurança, que lhe disse não haver reserva em seu nome. O vídeo que publicou sobre o sucedido, intitulado “Amanvari Called the Police on Me”, ultrapassou as 750 mil visualizações e valeu ao hotel uma onda de críticas nas redes sociais, com utilizadores a jurarem nunca mais reservar uma propriedade Aman.
É precisamente aqui que a versão da Aman diverge da de Walker. A empresa nega ter chamado a polícia, remetendo para um relatório interno do incidente que não faz qualquer menção às autoridades, e sustenta que o influencer nunca chegou à entrada principal de hóspedes, tendo antes parado num acesso de colaboradores. O grupo hoteleiro acrescenta ainda que Walker tinha sido avisado, por email, cinco dias antes da viagem, de que o hotel não podia receber estadias com cobertura de conteúdos durante o primeiro mês de abertura, e que lhe tinha sido sugerido reagendar a visita — além de lhe ter enviado, mais tarde, uma mensagem de WhatsApp a confirmar o cancelamento.
A versão de Ryan Walker
Confrontado pelo “Wall Street Journal” com estes pontos, Ryan Walker acabou por rever parte do seu relato: reconheceu que o email de cancelamento não chegara na “noite anterior”, como afirmara no vídeo, mas sim na manhã do próprio dia da viagem — ainda que não tenha corrigido essa cronologia nem no vídeo original nem numa livestream posterior — e admitiu que só tomou conhecimento da mensagem de WhatsApp quando o jornal lhe perguntou por ela. Confirmou também ter recebido o reembolso integral da reserva, mas ter recusado a compensação adicional por despesas de viagem e cancelamento que a Aman diz ter oferecido.
O caso demonstra a tensão crescente entre hotéis de luxo e criadores de conteúdos independentes. Jack Ezon, CEO da agência de viagens de luxo Embark Beyond, citado pelo “Wall Street Journal”, recorda que os hotéis mantêm o direito de cancelar reservas ou negar acesso, e desaconselha visitas a propriedades recém-abertas: “Não precisam de ser a cobaia. Deem-lhe seis a oito meses para crescer, no mínimo.”





