O Amanvari, hotel de luxo no México sobre o qual a TRAVEL MAGG já escreveu aqui, é considerado uma das aberturas do ano no segmento da hotelaria de luxo. A propriedade não fez, contudo, uma receção propriamente calorosa a Ryan Walker. O criador de conteúdos norte-americano, especializado em críticas a hotéis, contou num vídeo publicado no seu canal de YouTube como tudo se passou.
Com uma reserva confirmada, e depois de uma viagem de duas horas a partir de Los Cabos, Ryan foi recebido por um segurança à porta do hotel. O funcionário disse-lhe que sabia quem ele era e que não constava qualquer reserva em seu nome. Mesmo depois de exibir o email de confirmação, e de ter sido abordado por uma segunda funcionária, o criador de conteúdos foi impedido de entrar no resort. No final da interação, a funcionária ameaçou chamar a polícia. Ryan e o seu videógrafo regressaram a Los Cabos e, já no carro, o influencer voltou a procurar no email — e encontrou uma mensagem, enviada na noite anterior, com o cancelamento da reserva. A justificação? Que o hotel tinha aberto havia poucos dias e que estavam a decorrer “ajustes”. “Tomámos a difícil decisão de reduzir estadias enquanto acabamos este trabalho”, lia-se.
“Já fiquei em muitas propriedades do grupo Aman e tive sempre ótimas experiências. Ser tratado desta forma, tiraram fotografias do carro do nosso motorista, chamaram a polícia para nos escoltarem dali. É assim que o Amanvari está a tratar os hóspedes porque não estão preparados para receber pessoas.”, lamentou o criador de conteúdos.
À primeira vista, poderia tratar-se apenas de mais um vídeo de um influencer de viagens a ver os seus privilégios negados, mas não é o caso. Ryan Walker descreve-se como “um crítico independente”: não é pago para analisar as estadias, paga-as do próprio bolso e produz depois as suas críticas sem ter de dar contrapartidas aos locais onde fica hospedado. “Os críticos independentes como eu ajudam a que exista uma narrativa equilibrada. Quando se silenciam críticos independentes e lhes cancelam as reservas, o que acontece é que a narrativa é totalmente controlada pelas empresas”, defende.
Ryan sublinha ainda que o hotel não se encontrava em fase de soft opening e que, no dia em que chegou ao local, já era possível fazer reservas. “A interação que vocês viram diz-vos tudo sobre a forma como eles estão a lidar com a abertura.” No vídeo, mostrou também itens do press kit que lhe tinham sido enviados para assinalar a abertura do hotel.
Ryan tentou ainda falar com a gerente do hotel, mas as chamadas foram rejeitadas. Quando ligou a partir do telemóvel do videógrafo, a chamada foi atendida — apenas para lhe dizerem que era impossível falar com o diretor-geral.
“O que é que se está a passar por detrás daquele portão?”, questiona, já instalado noutro hotel. No mesmo vídeo, esclarece e apresenta provas de que pediu autorização para filmar no hotel e de que esta lhe foi concedida. “Chamarem a polícia e escoltarem-nos para fora da propriedade é algo que nunca imaginei que pudesse acontecer.”
Num vídeo entretanto apagado, Ryan Walker contou que estava a ser aconselhado pela embaixada dos Estados Unidos a não revelar detalhes do sucedido antes de regressar a solo norte-americano.
Num novo vídeo, publicado este domingo, 9 de agosto, o influencer afirma que o seu único arrependimento foi ter colocado o videógrafo e o motorista numa situação em que nunca deveriam ter estado. “Foi uma situação muito difícil e stressante. O stress escalou para um nível que nos era desconhecido.” E acrescenta: “Quero esclarecer que ninguém nos ameaçou, isto foi só baseado em dicas de pessoas que nos aconselharam a não fazer este livestream.”
Ryan esclareceu também que lhe foi oferecido o reembolso das despesas da reserva e dos gastos associados ao cancelamento, como a viagem entre Los Cabos e o regresso a Los Angeles, valores que a equipa não aceitou. Diz-se “desapontado”, uma vez que já esteve em várias propriedades da marca Aman, sempre com experiências “quase perfeitas”, e lamenta que não tenha havido, até agora, “uma conversa franca” com a direção do hotel. “Não nos sentimos bem nem em segurança e não fui contactado por ninguém do grupo Aman para saber se estávamos bem, se tínhamos chegado ao aeroporto ou para saber se precisávamos de ajuda para procurar outro alojamento. O que, para mim, é surpreendente, tendo em conta a forma como costumamos ser tratados noutras propriedades Aman.”
Até ao momento, o grupo Aman ainda não reagiu publicamente ao episódio. A TRAVEL MAGG contactou o gabinete de comunicação do grupo hoteleiro para obter uma reação, mas não recebeu resposta até à publicação deste artigo. No Instagram, o Amanvari tem os comentários fechados nas últimas publicações; no Facebook, acumulam-se comentários negativos.
Uma noite no Amanvari custa, em agosto, a partir de 6.042€. A propriedade encontra-se encerrada durante o mês de setembro, sendo apenas possível reservar estadias a partir de outubro.
Aman, hotéis de luxo espalhados pelo Mundo
Fundado em 1988 pelo hoteleiro indonésio Adrian Zecha, que abriu o primeiro Amanpuri em Phuket, na Tailândia, o grupo Aman é hoje uma das referências mundiais do segmento ultra-luxo. Foi comprado em 2014 pelo empresário russo Vladislav Doronin, que acumula as funções de proprietário, presidente e diretor executivo e que, desde então, fez o portefólio crescer de 26 para mais de três dezenas de unidades, resorts, hotéis e residências distribuídos por cerca de 20 países, da Tailândia ao Butão, de Tóquio a Nova Iorque.
Com sede na Suíça, o grupo detém ainda a marca irmã Janu, lançada em 2020, e tem em carteira aberturas em Miami Beach, Beverly Hills, Dubai, Maldivas e Arábia Saudita. Em 2022, recebeu um investimento de 900 milhões de dólares (cerca de 775 milhões de euros) do fundo soberano saudita PIF e da Cain International e, em julho deste ano, anunciou uma parceria de 500 milhões de dólares (aproximadamente 430 milhões de euros) com o grupo sul-coreano Shinsegae. O Amanvari, primeira propriedade da marca no México, abriu portas a 1 de agosto.





