Negócio fechado. Quem são os novos donos da easyJet? E o que muda para Portugal?

Raquel Costa
Notícias
A administração da easyJet aceitou a oferta do fundo Apollo, que avalia a low cost em 6,6 mil milhões de euros. A companhia tem bases em Lisboa, Porto e Faro. Explicamos o negócio e o que muda.

A low cost vai mudar de mãos. A easyJet aceitou na quinta-feira, 6 de agosto, uma oferta de compra do fundo norte-americano Apollo Global Management no valor de 5,7 mil milhões de libras, cerca de 6,6 mil milhões de euros. O negócio põe fim a meses de incerteza sobre o futuro de uma das maiores transportadoras de baixo custo da Europa.

Segundo o ECO, que cita a agência Reuters, o acordo foi anunciado na véspera do prazo dado aos dois fundos interessados para apresentarem uma proposta definitiva. A Apollo oferece 7,15 libras (cerca de 8,38€) por cada ação, um valor recomendado por unanimidade pelo conselho de administração da companhia britânica. O “Jornal de Negócios” sublinha que este montante fica acima da cotação a que os títulos estavam a negociar no momento do anúncio.

O que é a Apollo Global Management?

A Apollo Global Management é uma gestora de ativos alternativos fundada em 1990 por Leon Black, Joshua Harris e Marc Rowan, este último atualmente presidente executivo e presidente do conselho de administração. Não é uma estreante no setor: comprou a norte-americana Sun Country Airlines em 2018, num negócio de cerca de 188 milhões de dólares (aproximadamente 173 milhões de euros), levou-a à bolsa em 2021 e alienou a última participação em fevereiro de 2025.

Na Europa, o nome já apareceu ligado à Air France-KLM, a quem forneceu um financiamento de 1,5 mil milhões de euros indexado ao programa de fidelização Flying Blue, além de um investimento de 500 milhões de euros numa filial de manutenção. É esse historial de capital de longa duração aplicado à aviação que a Apollo invoca para justificar a operação.

Um fundo americano pode comprar uma companhia europeia?

Não pode, pelo menos não sozinho. As regras britânicas e comunitárias exigem que a maioria do capital e o controlo efetivo de uma transportadora estejam em mãos europeias, sob pena de a companhia perder os direitos de tráfego dentro da União Europeia. A solução encontrada foi a participação da Apollo ficar limitada a 49,9%. Uma estrutura fiduciária europeia deterá até 5% e o fundador Stelios Haji-Ioannou mantém a posição da família, que ronda os 15,3% e já se comprometeu a apoiar a transação.

Mas o negócio ainda não está fechado. Falta a aprovação dos acionistas, o aval dos tribunais britânicos e as autorizações das autoridades de aviação, de concorrência e de investimento estrangeiro. A Euronews aponta a conclusão para o final do primeiro trimestre de 2027.

O que muda para quem voa?

A curto prazo, pouco. A Apollo assumiu que não pretende cortar postos de trabalho nos primeiros 12 meses após a conclusão do negócio e que tenciona usar esse período para fazer uma revisão detalhada da empresa com a atual gestão, o que empurra qualquer plano estratégico para 2028.

A médio prazo, a leitura dos analistas é mais cautelosa. Susannah Streeter, do Wealth Club, citada pelo JOE, considera que os passageiros não devem contar com bilhetes mais baratos: a própria easyJet já tinha avisado que a subida do preço do combustível, agravada pelo conflito no Médio Oriente, tenderia a pressionar as tarifas. A “Business Traveller” chama a atenção para outro ponto: a Apollo manifestou interesse em reforçar as receitas acessórias e o programa de fidelização, o que tanto pode significar mais benefícios para quem voa com frequência como novas taxas e encargos associados.

Convém recordar o contexto financeiro. A easyJet emprega mais de 19 mil pessoas e opera cerca de 1.200 rotas em mais de 30 países. Entre abril e junho, registou um lucro antes de impostos de 85 milhões de libras (cerca de 99 milhões de euros), uma queda homóloga de 70%, explicada pelo aumento do preço do combustível e pela menor procura, segundo o Observador.

E em Portugal?

Não há, para já, qualquer indicação de que a operação portuguesa venha a ser afetada. Este verão, a easyJet opera 93 rotas a partir de Portugal para 14 países, com uma capacidade de sete milhões de lugares, de acordo com dados divulgados pela companhia e recolhidos pela Ambitur. Lisboa concentra 33 rotas, o Porto mantém-se como base permanente e Faro reabriu a base sazonal em abril, com 18 ligações e 1,7 milhões de lugares.

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