A Ryanair fechou o trimestre de abril – junho com lucros de 538 milhões de euros, uma quebra de 34% face aos 820 milhões de euros registados no mesmo período de 2025. O resultado, divulgado esta segunda-feira em comunicado, ficou também aquém dos 579 milhões de euros previstos, segundo avança a Reuters. A maior companhia aérea da Europa em número de passageiros atribui a quebra sobretudo ao encarecimento do combustível e à descida das tarifas médias, num trimestre marcado pela instabilidade gerada pelo conflito no Médio Oriente.
Os números divulgados mostram uma empresa a crescer em volume, mas a perder margem. O número de passageiros transportados aumentou 6%, para 61,3 milhões, com a taxa de ocupação a manter-se estável nos 94%. Do lado dos custos, a fatura operacional agravou-se 11%, para 3,81 mil milhões de euros, com o fim das compensações pagas pela Boeing por atrasos na entrega de aviões a pesar também na comparação homóloga, depois de a companhia ter recebido o último B737 “Gamechanger” em fevereiro.
Porque é que isto está a acontecer?
A explicação para a quebra do lucro está no preço do combustível. A Ryanair cobre por hedging cerca de 80% do consumo de jet-fuel, mas os 20% que compra a preço de mercado mais do que duplicaram no trimestre, para cerca de 150 dólares (cerca de 131€) por barril. O aumento tem origem direta na guerra no Irão, que já dura há cerca de cinco meses e que tem restringido a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. O impacto tem-se feito sentir em toda a indústria: companhias como a Qantas, a SAS ou a Air New Zealand já anunciaram este ano agravamentos de tarifas para fazer face à subida dos custos de combustível, e a União Europeia tem alertado que os preços da energia dificilmente regressarão aos níveis anteriores ao conflito.
Segundo o presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, citado no comunicado da companhia, a travagem nas tarifas trimestrais deveu-se sobretudo ao conflito no Médio Oriente, que gerou hesitação nos consumidores, receios sobre uma eventual escassez de combustível na União Europeia e reservas feitas mais tarde do que o habitual.
O momento delicado não é exclusivo da Ryanair. O diretor financeiro da companhia, Neil Sorahan, disse à Reuters esperar, já este inverno, um número significativo de baixas entre companhias aéreas mais frágeis, à medida que os mesmos custos de combustível e margens cada vez mais apertadas tornam insustentável a operação de alguns concorrentes. Sorahan apontou ainda a disputa em torno da easyJet — atualmente alvo de uma guerra de ofertas entre os fundos norte-americanos Apollo e Castlelake, que já valorizou a companhia britânica em cerca de 5,7 mil milhões de libras — como um sinal de que a consolidação no setor aéreo europeu pode acelerar nos próximos meses.
Apesar da quebra trimestral, a Ryanair mantém uma posição financeira que a distingue da concorrência. A companhia ficou livre de dívida em maio, após o reembolso da sua última obrigação de 1,2 mil milhões de euros, e fechou o trimestre com mais de 2,8 mil milhões de euros em caixa, além de uma linha de crédito de 1,1 mil milhões de euros praticamente por utilizar.





