A comparação com as Maldivas pode soar exagerada, mas é exatamente isso que está a acontecer com Phu Quoc, uma ilha no sul do Vietname que, de acordo com o “The Independent”, começa a ganhar destaque entre viajantes mais atentos.
Durante anos ficou fora do radar internacional — em parte porque o Vietname só ligou a ilha à rede elétrica do continente em 2013 e ainda não há voos diretos da Europa. Agora, com novas ligações aéreas e um investimento crescente em hotéis de luxo, foi eleita a segunda melhor ilha da Ásia em 2026 pela revista DestinAsian Vietnam, numa tendência que não para de subir.
A diferença para as Maldivas? Continua significativamente mais acessível — e muito mais fácil de surpreender.
As praias são o principal argumento. Long Beach, também conhecida como Bai Truong, estende-se por 20 quilómetros na costa ocidental da ilha, com areia branca, palmeiras e uma seleção de resorts e restaurantes à beira-mar. Para quem prefere algo mais isolado, Sao Beach, no sul, tem aquele tom azul-turquesa que normalmente só se associa a destinos muito mais exclusivos — e ainda há espaço para sentir que não está a partilhar o cenário com multidões.
Ong Lang Beach, mais a norte, é conhecida por ser tranquila e relativamente intocada, com resorts boutique escondidos entre a vegetação. Nas pequenas ilhas do arquipélago An Thoi, perto da ponta sul, encontram-se enseadas com palmeiras, praias quase desertas e águas rasas e mornas repletas de raias e tubarões de bambu. Para chegar a estas ilhas, a opção mais usada é alugar um barco a partir de Phu Quoc — uma tarde a saltar de ilha em ilha que facilmente se torna o melhor dia da viagem.
Mas Phu Quoc não é apenas praia. Mais de metade da ilha é coberta por floresta tropical, reconhecida pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera. O Phu Quoc National Park tem trilhos que levam a cascatas — a Suoi Tranh é a mais acessível e uma paragem obrigatória — e o ritmo é completamente diferente do litoral. No interior, há jardins de pimenta, mercados locais e aldeias piscatórias que mantêm uma autenticidade que outras ilhas da região já perderam.
Em Ham Ninh, uma aldeia no lado oriental da ilha, as casas palafita sobre a água e o cais de pesca ainda funcionam como sempre e o peixe grelhado ali servido custa uma fração do que em qualquer resort. À noite, o Mercado Noturno de Duong Dong, a capital da ilha, é o melhor sítio para comer gambas com pimenta local, experimentar o famoso molho de peixe que a ilha produz e misturar-se com a vida local sem gastar praticamente nada.
Grandes grupos internacionais têm apostado forte na ilha, com resorts que coexistem com experiências locais autênticas e é esse equilíbrio raro que ainda torna Phu Quoc especial. É possível dormir num resort de cinco estrelas com piscina dinfinita virada para o mar por um terço do preço que se pagaria nas Maldivas, e no dia seguinte alugar uma motorizada por menos de 10€ e descobrir a ilha ao ritmo que se quiser.
Para quem gosta de desportos náuticos, há snorkeling, mergulho, pesca à lula ao anoitecer e passeios de barco para as ilhas vizinhas. O teleférico Hon Thom, um dos mais longos do mundo sobre o mar, liga Phu Quoc à ilha de Hon Thom com vistas de cortar a respiração — e é uma experiência que não tem equivalente em nenhum outro destino tropical da região.

Quando visitar, como chegar e onde ficar
A melhor época para visitar é de novembro a abril, durante a estação seca, com o mar calmo e céu aberto. Chegar a Phu Quoc não é complicado, mas exige sempre pelo menos uma escala a partir de Portugal. A forma mais comum é voar de Lisboa ou Porto até grandes hubs asiáticos como Banguecoque, Doha, Dubai ou Istambul, e depois seguir para o Aeroporto Internacional de Phu Quoc.
Outra opção frequente é entrar no Vietname por Ho Chi Minh (antiga Saigão) ou Hanói e apanhar um voo doméstico até à ilha — uma segunda etapa curta, normalmente cerca de uma hora. No total, a viagem demora entre 16 e 20 horas, dependendo das escalas.
Há ainda um detalhe importante: quem viaja diretamente para Phu Quoc a partir de um voo internacional pode ficar até 30 dias sem visto, o que facilita bastante a entrada e torna a ilha ainda mais acessível para turistas europeus. Não é uma escapadinha rápida, mas é precisamente essa distância que ainda ajuda a manter Phu Quoc fora do turismo de massas.
De acordo com uma simulação no Google Flights para partida a 19 de abril e regresso a 26, consegue chegar até esta ilha no Vietname a partir de 1207€, se estiver disposto a fazer 30 horas de viagem e três escalas (Lisboa – Atenas – Singapura – Ho Chi Minh – Phu Quoc). Com apenas uma escala em Seul, com a Korean Air, o tempo de viagem fica em 13 horas e os preços começam nos 2680€.
E quando dizemos que Phu Quoc é muito mais em conta do que as Maldivas não estamos a mentir. De acordo com simulação no Booking, uma semana no Green Bay Phu Quoc Resort & Spa, resort de cinco estrelas, em frente à praia, começa nos 1426€ com pequeno-almoço incluído. Se preferir uma opção mais barata, mas também à beira-mar, consegue ficar uma semana no Grand Ocean Bay Resort Phu Quoc a partir de 740€.




