A escalada militar entre os EUA, Israel e o Irão, que se intensificou no final de fevereiro de 2026 após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, está a provocar um efeito dominó na aviação global. O fecho do Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde circula uma fatia crítica do combustível de aviação transportado por via marítima, desencadeou uma crise energética com impacto direto nas viagens deste verão.
O preço do jet fuel disparou desde o início do conflito, com várias fontes internacionais a apontarem para uma subida abrupta que já está a comprometer a viabilidade de rotas menos rentáveis. Companhias aéreas começam a ajustar operações, num cenário que combina aumento de custos, cortes de capacidade e pressão sobre os preços dos bilhetes.
Em Bruxelas, o alerta é claro. O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, antecipa um período prolongado de instabilidade, admitindo “meses e anos muito difíceis” e comparando a atual crise às de 1973 e 2022 — mas com impacto potencialmente mais profundo no setor da aviação, identificado como o mais vulnerável.
As companhias aéreas já começaram a reagir. A Transavia cancelou dezenas de voos para maio e junho e introduziu um agravamento no preço dos bilhetes, justificando a decisão com o aumento do custo do combustível. O grupo Lufthansa anunciou uma redução significativa da operação de curta distância até outubro, com milhares de voos a serem retirados do calendário para conter o consumo de querosene.
Outras transportadoras seguem o mesmo caminho: a KLM já cortou ligações a partir de Schiphol, enquanto a SAS suspendeu centenas de rotas. A Ryanair foi mais longe e alertou para o risco de escassez de combustível na Europa caso o bloqueio no Estreito de Ormuz se prolongue durante os próximos meses.
Além dos cortes operacionais, começa a desenhar-se outro problema: a possível rutura no abastecimento. No Reino Unido, especialistas admitem que as reservas de combustível de aviação são limitadas e que uma disrupção prolongada pode afetar diretamente os voos de verão, sobretudo em períodos de pico.
Em Portugal, a TAP Air Portugal ainda não anunciou cancelamentos, mas os dados mais recentes mostram a exposição da companhia: o combustível representa uma fatia significativa dos custos operacionais, o que a deixa particularmente sensível a oscilações de preço. A ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, garante que não há risco imediato de escassez até meados de agosto, mas admite que o cenário depende da evolução do conflito.
Perante este contexto, a Comissão Europeia já discute medidas de mitigação, incluindo a criação de “vales energéticos” e o reforço de fontes alternativas de combustível de aviação. Ainda assim, a mensagem é clara: este verão poderá ser marcado por voos mais caros, menos opções e uma incerteza pouco habitual no setor.





