António José Seguro foi, este domingo, 8 de fevereiro, eleito presidente da República. O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa vive nas Caldas da Rainha mas nasceu em Penamacor.
Antes de ser apresentada como a terra do novo chefe de Estado, Penamacor já era uma vila muralhada no topo de uma serra, encostada à fronteira com Espanha, onde o silêncio aconchega e o tempo anda devagar. Entre a Torre de Menagem que vigia a paisagem, as ruas estreitas de granito, as praias fluviais e a Serra da Malcata como pano de fundo, este é um daqueles destinos que vale a pena conhecer.
A eleição de António José Seguro, filho da terra, trouxe novos holofotes a um concelho que há muito vive entre a memória do contrabando, rituais comunitários como o Madeiro de Natal e o desafio constante de não perder gente. Para quem chega de Lisboa ou do Porto pela A23 e pelas estradas regionais, Penamacor revela-se como miradouro natural sobre a raia, ponto de partida para aldeias quase adormecidas e base perfeita para mergulhos em albufeiras, caminhadas em território selvagem e dias sem pressa.
7 coisas para ver, fazer e sentir em Penamacor
1. Subir à Torre de Menagem e percorrer o burgo muralhado

A descoberta começa no alto. A Torre de Menagem, integrada nos antigos Paços do Concelho, domina a vila e oferece vistas abertas sobre a serra, a albufeira do Meimão e a planície espanhola, especialmente ao final da tarde. Cá em baixo, o convite é simples: perder-se nas ruas empedradas do centro histórico, entre troços de muralha, casas de granito, escadas inesperadas e pequenas praças onde o tempo parece ter ficado em suspenso.
2. Visitar o Museu Municipal e a rede de pequenos museus do concelho

O Museu Municipal de Penamacor ajuda a compreender a identidade do território, com núcleos dedicados à arqueologia, à história local e à vida rural. A partir daqui, vale a pena explorar a rede de pequenos museus espalhados pelas freguesias. Em aldeias como Meimoa ou João Pires, estes espaços contam, à escala humana, histórias de contrabando, agricultura de subsistência e emigração, matéria-prima ideal para quem gosta de sentir os lugares para lá da fotografia.
3. Ir a banhos na praia fluvial do Meimão (e espreitar a Meimoa)

No verão, o centro de gravidade de Penamacor muda-se para a albufeira da barragem do Meimão. A praia fluvial, com areal, relvados e boas infraestruturas, convida a dias longos entre mergulhos e sombras improvisadas. A água calma é cenário para SUP, caiaque e passeios de barco, integrados na Estação Náutica de Penamacor. Nas proximidades, a zona balnear da Meimoa surge como alternativa mais discreta, perfeita para quem prefere rios a grandes planos de água.
4. Respirar natureza na Serra da Malcata, território do lince

A Reserva Natural da Serra da Malcata, partilhada com o concelho do Sabugal, é um dos últimos grandes redutos de natureza selvagem da região. Serras cobertas de mato, linhas de água encaixadas e uma biodiversidade que justifica a viagem por si só. O lince-ibérico, símbolo da área protegida, é hoje mais uma presença mítica do que uma visão garantida, mas os trilhos pedestres e de BTT, a observação de aves e o silêncio absoluto fazem deste um dos melhores lugares para desligar.
5. Fazer um roteiro de aldeias (e de varandas viradas para o Tejo)

João Pires, Águas, Bemposta, Salvador, Aranhas ou Benquerença são aldeias onde ainda se ouvem conversas à porta de casa e se vê roupa estendida em varandas de ferro trabalhado. Percorrê-las devagar é parte da experiência: procurar tanques comunitários, fornos, pelourinhos e pequenas capelas, subir a miradouros com vista para a Malcata ou para a vasta bacia do Tejo, e parar para um café demorado na esplanada mais improvável.
6. Descobrir a Estação Náutica de Penamacor

Mais do que um selo turístico, a Estação Náutica de Penamacor funciona como pretexto para visitar o concelho. Entre a barragem do Meimão, a ribeira da Baságueda e outros planos de água, há atividades de canoagem, passeios de barco, eventos desportivos e iniciativas de educação ambiental que ajudam a pensar Penamacor como destino de lazer durante quase todo o ano.
7. Voltar em dezembro para o Madeiro de Penamacor
Se a eleição presidencial fez o País olhar para Penamacor no início do ano, em dezembro a razão costuma ser outra. O Madeiro de Natal, tradição que aqui ganha uma escala quase épica, junta a comunidade em torno de um enorme tronco aceso junto à igreja matriz. Entre fumo, cheiro a lenha e conversas longas, o ritual transforma o frio numa experiência partilhada.





