Vai poder viajar sem passaporte ou documentos de identificação. Saiba como funciona

Raquel Costa
Notícias
A IATA concluiu uma série de testes bem-sucedidos com viagens internacionais sem papel. A tecnologia existe, é segura e está pronta. Falta os governos agirem.

homem segura passaporte na mão no aeroporto

A Associação Internacional das Companhias Aéreas (IATA) confirmou esta semana que as viagens internacionais sem passaporte físico são tecnicamente possíveis — e já foram testadas em condições reais.

A IATA concluiu uma série de testes com a participação de companhias aéreas, aeroportos, fornecedores tecnológicos e governos da Europa e da Ásia-Pacífico. Os resultados demonstraram que a identidade digital armazenada no telemóvel, combinada com verificação biométrica, pode substituir completamente os documentos em papel ao longo de toda a viagem.

Os testes envolveram a Japan Airlines, a Air New Zealand e a IndiGo, em rotas entre o Japão, Hong Kong, Auckland e Bengaluru. Em todos os cenários, os passageiros completaram a viagem sem apresentar o passaporte físico uma única vez. A identidade digital foi guardada em carteiras digitais como a Apple Wallet, a Google Wallet e o programa nacional indiano Digi Yatra, e foi reutilizada em múltiplos aeroportos e companhias sem qualquer interrupção.

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Um dos resultados mais significativos foi precisamente a confirmação da interoperabilidade: sistemas de diferentes países, companhias e fornecedores tecnológicos conseguiram comunicar entre si de forma segura e eficiente.

Na prática, o processo funciona assim: o passageiro partilha os seus dados de identidade antes de viajar, com o seu consentimento, através do telemóvel. No aeroporto, cada ponto de controlo — check-in, segurança, embarque — é ultrapassado com uma simples verificação biométrica, sem apresentar qualquer documento físico. “Demonstrámos que a identidade digital para viagens internacionais funciona de forma segura e eficiente”, afirmou Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA, sublinhando que o próximo passo está do lado dos governos.

E é precisamente aqui que reside o principal obstáculo. A tecnologia existe e está pronta mas falta ação governamental coordenada: emitir versões digitais oficiais dos passaportes, preparar os sistemas de fronteiras e de autorização de viagem para os aceitar e trabalhar com a indústria para garantir a adoção global. A IATA deixa claro que os documentos em papel continuarão disponíveis para garantir a acessibilidade de todos os viajantes.

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