Madeira reforça estratégia como destino de Natureza com a criação de 6 parques naturais

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A estratégia da Madeira para proteger trilhos e levadas ganha novas medidas. Secretário de Estado do Turismo anuncia na BTL a reabertura de um dos percursos mais emblemáticos e a criação de seis parques naturais com gestão própria.

Desde o início de 2026 que a ilha da Madeira criou restrições ao acesso aos principais trilhos e levadas, com o registo prévio obrigatório na plataforma SIMplifica, reserva de horário e pagamento de taxas, que começam nos 4,50€ (percurso individual) e vão até aos 52,50€ (taxa de 7 dias para percursos combinados).

Mas isto é apenas parte da estratégia para não só proteger o património natural da Madeira como também posicioná-la como destino turístico para quem procura natureza e atividades ao ar livre, como revelou Eduardo Jesus, secretário de Estado do Turismo da Madeira esta quinta-feira, 26 de fevereiro, num encontro com a comunicação social no âmbito da BTL 2026.

Referindo-se à necessidade de proteger os trilhos e ao papel dos Vigilantes da Natureza e dos Sapadores Florestais, o Eduardo Jesus confirmou que o PR1, percurso entre o Pico do Areeiro e o Miradouro da Pedra Rija, reabre em abril, a tempo de mais uma edição do Madeira Island Ultra-Trail, após ter estado encerrado na sequência dos incêndios de 2024. “Nesse mesmo dia fica aberto ao público”, afirmou.

Para garantir a reabertura em segurança, foi reforçada a monitorização da área afetada, em articulação com o Laboratório Regional de Engenharia Civil, para avaliar eventuais riscos de queda de rochas. Segundo explicou o secretário de Estado do Turismo da Madeira, essa monitorização foi realizada por três vezes e incluiu também a intervenção de equipas especializadas que retiraram pedras instáveis das encostas. Em paralelo, foram alterados alguns percursos e criadas alternativas temporárias, num trabalho focado em preparar o regresso do trilho para o evento e, logo depois, para a população em geral.

Eduardo Jesus sublinhou ainda que, durante o período de encerramento, houve casos de visitantes que ultrapassaram as barreiras e fizeram o percurso por conta própria, situação que tem levado à atuação da polícia florestal e à aplicação de coimas. A estratégia passa também por reforçar a vigilância e organizar melhor o acesso às áreas naturais mais procuradas, numa fase em que a Madeira procura equilibrar o aumento da procura turística com a preservação do território.

6 parques naturais e reorganização do acesso automóvel

Nos próximos anos, a estratégia passa também pela criação de seis parques naturais estruturados, pensados não só para valorizar a experiência dos visitantes, mas também para proteger áreas particularmente sensíveis da ilha. Segundo explicou o secretário de Estado do Turismo da Madeira, a ideia é gerir estes espaços de forma individualizada: “Nós vamos considerar seis parques e geri-los como parques, individualmente. O Parque do Arieiro, o Parque do Ribeiro Frio, o Parque das Queimadas, o Parque da Ponta de São Lourenço, o Parque do Fanal e o Parque do Rabaçal.”

A lógica passa por organizar melhor a visita e destacar as características de cada zona, desde valores geológicos a fauna e flora. “A lógica é de integrar e cada parque poder ser promovido por si. Eu, neste parque, tenho interesse geológico, tenho interesse ao nível da fauna, da flora”, explicou Eduardo Jesus, acrescentando que as atividades possíveis em cada local já estão identificadas e integradas na oferta.

No caso do Fanal, por exemplo, já estão a ser preparadas intervenções concretas para limitar o impacto da pressão turística. “Sentimos a necessidade de intervir no Fanal e aí há um plano de maior intervenção em toda a área do Parque Florestal do Fanal, que vai impor um circuito definido para usufruir daquele espaço. Em algumas zonas, provavelmente, vamos ter que instalar passadiços para poupar o território”, afirmou, sublinhando que algumas áreas mais frágeis já foram isoladas e que a vigilância foi reforçada com presença permanente de vigilantes da natureza.

Outro eixo do plano passa por reorganizar o acesso automóvel às zonas naturais mais procuradas. O objetivo é associar parques de estacionamento a cada um destes espaços, mas afastados do ponto inicial da visita. “O nosso objetivo é que os parques de estacionamento fiquem distantes do início da visita, para evitar aquele aglomerado”, disse Eduardo Jesus, acrescentando que a ligação poderá ser feita a pé, através de soluções de mobilidade sustentável ou por shuttle, reduzindo a pressão de carros nas áreas mais sensíveis.

De acordo com o governante, parte da percepção de excesso de visitantes resultava sobretudo de problemas de estacionamento e organização do acesso. “O problema não era um problema de excesso, mas era um problema de indisciplina”, afirmou, apontando também para o reforço da vigilância no terreno e para a entrada de novos elementos na guarda florestal e entre os vigilantes da natureza como parte da estratégia de preservação destes espaços naturais.

Já ativo está também o canal de Whatsapp criado pela Associação de Promoção do Turismo da Madeira, cujo objetivo é divulgar informação útil pra os visitantes. Com conteúdos em português e inglês, o canal divulga o calendário cultural da ilha e faz um “reforço do acolhimento” a quem visita o arquipélago. No entanto, como adiantou Eduardo Jesus, também poderá ser usado “quando for necessário” para divulgar avisos meteorológicos.

 

 

A TRAVEL MAGG ficou alojada no Moxy Lisboa Oriente durante a BTL 2026

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