Há destinos italianos que vivem na sombra de vizinhos muito mais famosos. É o caso de Chiavenna, no norte de Lombardia, um refúgio alpino discreto que recentemente saltou para a ribalta depois de um artigo publicado no “The Guardian”. Situada num vale verde que liga Itália à Suíça, a vila mantém um ritmo tranquilo e um cenário que parece saído de um postal, com pontes de pedra, casas históricas e montanhas a rodear tudo.

O melhor ponto de partida é o centro histórico, onde vale a pena caminhar sem pressa pela Via Dolzino e pelas ruas antigas junto ao rio Mera. Entre igrejas, palácios e pequenas praças, encontra-se também a Collegiata di San Lorenzo, um dos edifícios mais emblemáticos da localidade. A partir daqui, o passeio continua pelas margens do rio, onde cafés e restaurantes convidam a parar e observar o quotidiano local.

Mas Chiavenna não vive apenas de história. A poucos minutos do centro fica uma das paisagens naturais mais impressionantes da região: a Cascate dell’Acquafraggia. As quedas de água descem pelas rochas alpinas e criam um cenário que atrai caminhantes e fotógrafos. Outro local curioso é o Parco delle Marmitte dei Giganti, onde formações rochosas moldadas por antigos glaciares revelam trilhos fáceis e vistas inesperadas.

Há também uma tradição gastronómica muito própria que distingue a vila de outros destinos italianos. Em Chiavenna encontram-se os famosos crotti, cavernas naturais onde a temperatura se mantém constante durante todo o ano e que foram transformadas em restaurantes típicos. É nestes espaços que pode provar pratos regionais como pizzoccheri, carnes curadas e queijos locais, muitas vezes acompanhados por vinhos da montanha. É uma experiência simples, autêntica e muito ligada à identidade do vale.
Se tiver tempo extra, vale a pena explorar a região em redor. A estrada que segue em direção ao Lago di Como revela paisagens dramáticas entre água e montanha, enquanto o passo alpino de Spluga abre caminho para a Suíça. Caminhadas, ciclismo e pequenas aldeias fazem parte do programa para quem gosta de viajar sem pressa.

Chegar desde Portugal não é complicado. O percurso mais simples é voar até Milão e seguir de comboio até Colico, já junto ao Lago de Como, onde existe ligação ferroviária direta até Chiavenna. A viagem final é considerada uma das mais bonitas do norte de Itália, com montanhas, rios e vilas alpinas ao longo do caminho.
