Esqueça Santorini e Mykonos. Em Spetses, o luxo não se mede em beach clubs nem em filas para fotografias. Mede-se no silêncio. No som das ferraduras a ecoar nas ruas de pedra. No facto raro de ainda existir uma ilha grega onde os carros praticamente não entram.
A apenas algumas horas de Atenas, esta ilha do arquipélago Sarónico mantém uma elegância discreta que tem atraído, durante décadas, armadores, famílias influentes e uma elite que prefere não dar nas vistas. Chegou a ser comparada ao Mónaco, mas a comparação fica aquém. Aqui não há ostentação forçada, há casas senhoriais, pinhais que descem até ao mar e uma autenticidade difícil de replicar.
Circular em Spetses é parte da experiência. Faz-se de bicicleta, a pé, de mota ou nas icónicas carruagens puxadas a cavalos. A estrada que contorna a ilha tem apenas 29 quilómetros, o suficiente para um dia sem pressas, com paragens estratégicas para mergulhos improvisados. O resto é deixar-se ir. Sem mapas nem horários apertados.
O centro de tudo é Dapia. O porto, desenhado com mosaicos de seixos pretos e brancos e rodeado por mansões neoclássicas, tem uma elegância quase cinematográfica. Daqui segue-se até ao Porto Antigo, passando por pequenas capelas e ruas cobertas de buganvílias, até chegar a uma zona onde o tempo parece abrandar ainda mais.
As praias são outro argumento difícil de ignorar. Agia Paraskevi é frequentemente apontada como a mais bonita, com água límpida e calma. Zogeria mantém-se quase selvagem, acessível apenas por barco. E Vrellos, rodeada por pinhal, é o tipo de lugar onde se chega para umas horas e se fica o dia inteiro.
Há também um lado inesperadamente cinematográfico. Partes de “A Filha Perdida”, realizado por Maggie Gyllenhaal, foram filmadas aqui, tal como cenas de “Glass Onion: A Knives Out Mystery”. Reconhecer cenários entre mergulhos e passeios é quase inevitável.
Chegar é simples. Há voos diretos de Lisboa para Atenas, operados pela Aegean e pela Sky Express. O ponto de partida é Pireu, porto situado a oito quilómetros de Atenas, de onde partem ferries que ligam diretamente à ilha em cerca de três horas. Há também a opção de atravessar pelo Peloponeso e fazer os últimos minutos de táxi aquático.






