10 coisas irritantes que os hotéis têm de parar de fazer (imediatamente!)

Raquel Costa
Crítica
Entre modas de design, tecnologias pouco intuitivas e pequenos descuidos que fazem toda a diferença, há hábitos hoteleiros que transformam uma boa estadia numa experiência frustrante.

pequeno-almoço hotel café cama

Eu gosto de um bom hotel, seja ele um prático hotel de cidade, com os mínimos básicos para uma noite descansada depois de um dia de trabalho, seja um resort de cinco estrelas com todos os luxos e mimos, do spa ao pão de massa mãe feito com trigo cultivado na propriedade. Mas esta nada árdua tarefa de visitar hotéis, resorts, hotéis boutique, turismos de habitação, turismos rurais e outros tipos de alojamento em trabalho fez com que o meu grau de exigência subisse.

Longe de mim ser uma pessoa esquisita: ao fim do dia, o que eu quero é um bom colchão, uma casa de banho limpa, com um chuveiro com pressão, e bom café ao pequeno-almoço. Mas, quando alguns pormenores falham, nem mesmo o mais luxuoso dos hotéis consegue compensar a frustração de uma expectativa gorada.

Há gostos — embora eu seja totalmente adepta de os discutir — e depois há falhas inadmissíveis, modas irritantes e tendências hoteleiras inexplicáveis. Estas são as 10 coisas que mais me irritam num hotel (seja ele de luxo ou não) e que podem transformar uma estadia agradável numa vontade imensa de deixar uma crítica negativa no Booking.

1 – a moda das fragrâncias personalizadas

Se vocês soubessem o que eu, com a minha rinite e sinusite, sofro com isto, encomendavam-me já um carregamento de Nasomer. Desde que a moda dos ambientadores com fragrâncias personalizadas pegou, sobretudo no segmento de luxo, não há uma estadia de hotel que não comece com o nariz entupido e acabe com as fossas nasais cheias de detritos. Percebo a ideia de criar uma identidade que chegue aos cinco sentidos, mas gostava mesmo de saber se, quando estas estratégias são delineadas, têm a aprovação de otorrinolaringologistas.

Eu até gosto de uma fragrância. No spa, enquanto estou a receber uma massagem. Estar no lobby e cheirar um aroma, passar pelo corredor e sentir outro, chegar ao quarto e o ar estar empestado de um cheiro amadeirado com musk e casca de laranja, que supostamente representa o ethos da cadeia hoteleira, deixa-me numa exaustão olfativa. Não dá só para voltarmos aos bons e velhos tempos em que as coisas cheiravam apenas a limpo?

2 – painéis de domótica impossíveis de controlar

Um dos meus ódios de estimação: aqueles ecrãzinhos medonhos com 569 botões, 36934 bonequinhos que representam o ar condicionado, as luzes da entrada, as luzes de presença, os estores, os cortinados, a iluminação personalizada do duche, o volume da música ambiente. E, vá-se lá saber porquê, nunca conseguimos desligar todas as luzes. E, vá-se lá saber porquê, mesmo quando no ecrã aparecem 23ºC, o ar continua gelado. E, vá-se lá saber porquê, acabamos por dormir com os estores abertos porque, entre tanto botão e luz e sobe e desce, tivemos um esgotamento nervoso e atirámo-nos para a cama ainda com a roupa vestida. Refúgio de relaxamento? Onde? Só se trouxerem o técnico de IT convosco.

3 – Mesas sem cadeira à altura (ou cadeiras sem mesa à altura)

O meu drama pessoal. Em 90% das visitas que faço a hotéis, estou na companhia do meu inseparável portátil. A qualquer hora do dia ou da noite, esteja onde estiver, posso aproveitar para atualizar o site da TRAVEL MAGG, as redes sociais ou ver pela enésima vez um episódio de “Heated Rivalry”. Mas, 90% das vezes, uma jornada de trabalho, ainda que curta, acaba com dores horríveis nos pulsos, costas, pescoço ou no rabo, consoante a desadequação de um dos elementos.

Regra geral, são as cadeiras, demasiado baixas para as mesas ou secretárias, mas também já aconteceu ter de me resignar a ficar com o computador ao colo, na cama, ou porque a mesa não tinha tomadas por perto, ou porque a televisão estava colocada mesmo em cima da secretária. Nem todos os hotéis são desenhados para receber pessoas que trabalham, e eu percebo isso. Mas, pelo menos, deem-me uma mesinha de café sem peças decorativas que pesam 35 quilos e “livros de arquitetura e design” que parecem blocos de betão. A minha coluna agradece.

4 – Papel higiénico de má qualidade

Este ponto podia parecer uma evidência. Mas não é. Seja quanto estiver a pagar, o mínimo que se exige é papel higiénico fofo e não aquelas folhas que parecem feitas de serradura. Ou, quando é macio, é tão fino que se desfaz todo. Ou está selado e, quando vamos tentar abrir, ficamos com mil pedacinhos de papel higiénico na mão. Ou, pior, a folha inicial está contorcida num origami, e ficamos com pena de desfazer a obra de arte para limpar as miudezas. O que me leva ao ponto seguinte.

5 – Ausência de bidé

Quem diz bidé, diz uma mangueirinha ao lado da sanita. Preciso de explicar mais ou já ficou claro o conceito?

6 – Vendas agressivas no spa

De todas as coisas irritantes que acontecem em hotéis de um segmento mais elevado, esta é a que me enerva mais. E a culpa não é dos funcionários, mas sim de estratégias de marketing completamente desajustadas. Se eu estou num espaço de wellness, quero usufruir do momento. Não quero, nem antes, nem durante e muito menos depois, quando estou relaxada, que um funcionário me diga que posso comprar uma linha inteira de cosméticos para o rosto ou que devia adquirir aquele sérum porque, senão, o efeito dos 25 cremes que me foram aplicados durante o tratamento facial vai desaparecer antes da meia-noite. Se eu gostar mesmo, se o produto for mesmo incrível, eu vou perguntar. E vou comprar. Acreditem.

7 – Equipas inexperientes

Sabem o que é sinónimo de “equipa jovem e dinâmica”? Equipa sem experiência e mal paga. Cada vez mais, até nos sítios mais inusitados, vejo, da cozinha ao front desk, hotéis com jovens sem a mínima experiência e capacidade para lidar com pessoas. Porque, mais do que saber falar línguas na perfeição ou decorar itinerários, atender pessoas é saber lidar com elas.

E, apesar de se aprender no trabalho, é imprescindível ter pessoas mais experientes nas equipas. Não só para transmitirem confiança ao cliente, mas também para ensinarem os mais novos. Uma hesitação no momento do check-in, um ar apavorado perante uma dúvida não esclarecida ou um cliente mais irritadiço podem transformar o que poderia ser uma estadia de sonho numa experiência para esquecer.

8 – Wifi com passwords impossíveis (ou redes impossíveis de encontrar)

Está numa moldura no quarto. Está num quadro preto, escrito a giz cor-de-rosa, na receção do hotel. Está no cartãozinho que envolve a chave. Está no ecrã de boas-vindas da televisão. Está na receção. Está escondido no terceiro ladrilho da casa de banho a contar do chão. É entregue por uma pombinha dourada após o check-in. É O NOME DO HOTEL EM CAPS LOCK MAIS 48462R2. É o seu apelido do meio, a sua data de nascimento e a palavra-passe é o nome da primeira namorada do seu bisavô. E o nome do wi-fi? Ah, agora tem de adivinhar entre o “clientes”, “staff”, “5G”, “private”, “doBigBoss”, “TodoAberto”. É preciso tirar outra licenciatura para aceder à maioria das redes wi-fi e, tantas vezes, os passos são tantos que mais vale usar dados móveis.

9 – Pastelaria industrial

Se o orçamento não chega para ter cinco tipos de bolos e viennoiserie, tenham apenas um bom pastel de nata, de preferência feito no hotel ou de uma pastelaria local. E aproveitem para promover a dita pastelaria. Se não conseguem ter pastelaria fresca todos os dias, tenham um bolo caseiro, fresco, logo pela manhã.

Sei que é impossível não ter croissants, e que as pessoas adoram um bom croissant, mas dispensam-se os caracóis que parecem saídos das vitrines da padaria do Continente e os mini pain au chocolat com ar de que estiveram congelados três meses e foram feitos à pressa no forno.

10 – Café mau

Neste último ponto, fiquei indecisa entre o café e os ovos. Mas, da minha experiência, é mais fácil encontrar, seja num hostel, seja num resort de luxo, uns ovos mexidos decentes do que um bom café. Um dos melhores que já bebi foi, curiosamente, num hotel de quatro estrelas, no Sleep and Nature, em Montemor-o-Novo, porque estava acabado de fazer e vinha numa prensa francesa, servido à mesa.

O grau de exigência eleva-se quanto mais pagamos e, se estamos a desembolsar 500€, 600€ por noite, é inadmissível que, no quarto, esteja uma anódina Nespresso com cápsulas. Queremos, no mínimo, cápsulas personalizadas, queremos que o hotel tenha, fora do horário de pequeno-almoço, um barista com sugestões de cafés e queremos que, ao pequeno-almoço, a não ser que estejamos a falar de hotéis e resorts com mais de 200 quartos, café servido à mesa. Porque, se eu vejo mais uma máquina industrial de café a roncar enquanto ainda não estou totalmente acordada, vai dar-me a travadinha.

 

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