Nas análises de tendências de viagens para 2026 há um padrão evidente: toda a gente quer praia e natureza, mas não quer multidões. A equação é simples. Procuram-se destinos ainda relativamente discretos, mas em crescimento. Okinawa, Sardenha, Zeeland, Liznjan ou Vaucluse começam a aparecer nos relatórios internacionais. Não são segredos guardados a sete chaves, mas estão claramente a acelerar. Tradução prática: mais voos, mais hotéis… e mais fotografias no feed.
Para quem gosta de chegar antes do “boom”, este é o timing certo. Ainda se encontram preços aceitáveis, menos filas e aquela sensação deliciosa de poder dizer que já lá ia antes de virar tendência.
Os números ajudam a perceber o fenómeno. A Expedia aponta aumentos expressivos nas pesquisas para 2026, com Okinawa a subir 71% e Sardenha 63%. Já a análise da Novasol, focada em reservas de casas de férias na Europa, identifica Zeeland, Liznjan e Vaucluse como zonas onde a procura cresce de forma consistente, impulsionada por viajantes que querem sol, mar ou vinhas, mas dispensam mega-resorts.
No fundo, estes destinos encaixam naquilo que 2026 pede: viagens mais longas, menos carimbos no passaporte por ano, mais bem-estar, mais natureza e mais autenticidade.
Okinawa, o Japão tropical que vai ser tendência

Okinawa surge como um dos destinos com maior crescimento nas pesquisas para 2026. Para lá da estatística, há a imagem que convence: água azul-turquesa, praias claras, recifes de coral e selva densa em ilhas como Iriomote. É o Japão em modo tropical, longe do frenesim de Tóquio e da corrida às cerejeiras em flor.
A experiência mistura mergulho, snorkel, trilhos na floresta, termas e castelos em ruínas, além de uma gastronomia própria, mais leve e com influências chinesas e americanas. Os preços continuam, em muitos casos, mais simpáticos do que noutras ilhas paradisíacas do Pacífico, e as ligações internas desde as grandes cidades japonesas facilitam integrar Okinawa num roteiro maior pelo país.
Sardenha, a alternativa sexy à Costa Amalfitana

Sardenha é outro nome em alta: as pesquisas para 2026 sobem mais de 60% nas contas da Expedia, colocando a ilha no top das tendências globais. Há razões óbvias: praias lindíssimas como Cala Goloritzé ou La Pelosa, pequenas baías com água fluorescente, povoações costeiras bonitas sem o congestionamento de Amalfi ou Cinque Terre e um interior montanhoso que continua mais autêntico do que instagramável.
No prato, é Itália em modo hardcore: massas, queijos, enchidos, cabrito, porco assado e muito marisco, com preços que ainda podem ser razoáveis fora de julho e agosto, sobretudo se trocar resorts por alojamentos locais ou casas de férias. A ilha também está a ganhar força como destino de road trip, combinando praias com trilhos, grutas, vestígios pré‑históricos (como o Nuraghe de Barumini) e pequenas aldeias onde ainda dá para beber um copo sem ouvir inglês em todas as mesas.
Zeeland. Dunas, vento e um litoral que ninguém associa aos Países Baixos

Zeeland surge nos relatórios europeus de tendência com um crescimento nas reservas de casas de férias e procura online, impulsionado por quem quer mar e natureza sem ir para o Mediterrâneo. A região, no sudoeste dos Países Baixos, é feita de ilhas e penínsulas ligadas por pontes, com longas praias de areia, dunas altas e um mar que convida mais a longas caminhadas e kitesurf do que a banhos de água quente.
O charme aqui é outro: vilas costeiras, cafés com vista para o mar, ciclovias por todo o lado e uma Holanda mais calma, com espírito de Norte da Europa e muito foco em sustentabilidade. Como fica acessível de comboio e carro a partir de cidades como Roterdão, Antuérpia ou Amesterdão, é um destino óbvio para quem quer juntar city break e fim de semana de praia.
Liznjan, o Mediterrâneo antes do hype total

No Adriático, a Novasol destaca Liznjan como um dos destinos com crescimento mais rápido em reservas para 2026, com um salto de 16,7% em relação ao ano anterior. Fica no sul da Ístria, relativamente perto de Pula, mas ainda fora da grande maré turística que atinge outros pontos da costa croata. A paisagem é de mar azul, trilhos na falésia, pequenas enseadas, pequenas marinas e casas de pedra, com um pé no mar e outro nos campos.
Liznjan está a beneficiar do aumento de popularidade da Croácia, mas numa versão mais recatada: mais casas de férias do que resorts, mais passeios de barco e mergulhos em ilhas próximas do que filas para entrar em miradouros famosos. É um destino óbvio para quem quer sol, água limpa e boa relação qualidade‑preço, com Zagreb e outros hubs europeus a garantirem ligações cada vez mais fáceis até Pula, e daí um pequeno salto de carro até à vila.
Vaucluse, vinhas, villas de pedra e uma Provença por explorar

Vaucluse, no coração da Provença, surge nas tendências com um aumento da procura, alimentado por quem quer a estética provençal sem cair nas zonas mais saturadas. A região junta vinhedos, campos, aldeias em colinas como Gordes ou Roussillon, mercados ao ar livre, restaurantes pequenos e uma luz que há décadas atrai pintores, escritores e agora criadores de conteúdo em busca do plano perfeito.
Ao contrário da Côte d’Azur, Vaucluse continua mais focado em turismo rural, enoturismo e pequenas villas com piscina do que em resorts gigantes, o que ajuda a manter alguma autenticidade. Ao mesmo tempo, está cada vez mais presente nas pesquisas, o que significa que o segredo está a meio caminho de deixar de ser segredo.




