Vai viajar para os EUA? Portugal atualiza avisos e lembra regras apertadas

Raquel Costa
Notícias
Num momento em que os EUA recebem menos turistas estrangeiros, Portugal reforça os avisos aos viajantes e recorda que nem todos podem entrar só com o ESTA. Saiba o que mudou e o que outros países também já alertaram os seus cidadãos.

O país mais visitado do mundo em termos de receitas turísticas continua a ser os Estados Unidos, mas com quebras à vista. Em 2025, o número de visitantes estrangeiros caiu 6%, numa altura em que o turismo global cresceu e os gastos mundiais subiram 6,7%, segundo dados da Reuters com base no World Travel & Tourism Council. Menos canadianos, mexicanos e europeus estão a atravessar o Atlântico, num contexto de políticas migratórias mais duras, ambiente político polarizado e novos alertas sobre as condições de entrada.

Portugal não está fora desta equação. Nas últimas atualizações dos conselhos aos viajantes, o Portal das Comunidades Portuguesas voltou a sublinhar que a entrada e permanência nos EUA ao abrigo do Visa Waiver Program (ESTA) é restrita a turismo e negócios, por um máximo de 90 dias, e que qualquer violação — desde falsas declarações ao simples facto de ficar além do prazo — pode levar à detenção e deportação por parte das autoridades federais norte‑americanas.

Outro ponto sensível é o tratamento da identidade de género. No mesmo aviso, o Portal das Comunidades Portuguesas alerta que, para cidadãos que se identificam com um género não-binário, as autoridades norte‑americanas recomendam que formulários e declarações à chegada sejam preenchidos com o género atribuído à nascença. Esta orientação coloca desafios óbvios para viajantes que, em Portugal, podem ter documentos alinhados com a sua identidade de género, mas que encontram, à entrada nos EUA, um sistema que só reconhece a classificação binária tradicional.

A questão da privacidade digital também está cada vez mais presente. As autoridades dos EUA passaram a exigir a indicação dos nomes usados em todas as redes sociais usadas nos últimos cinco anos nos formulários de visto, como o DS‑160. Embora, no caso do ESTA, o preenchimento dos identificadores de redes sociais continue a ser apresentado como opcional, omitir informação ou prestar declarações falsas em pedidos de visto pode levar à recusa e até dificultar pedidos futuros.

Para os viajantes, a recomendação é simples: preencher o ESTA apenas através do site oficial do Departamento de Segurança Interna, desconfiar de páginas com aparência “oficial” que cobram taxas extra e, em caso de dúvida, cruzar sempre a informação com a Embaixada dos EUA em Portugal e com o Portal das Comunidades Portuguesas. Importa lembrar que a atribuição de ESTA ou de visto nunca garante por si só a entrada no país — a decisão final é sempre tomada pelo agente de fronteira, e um histórico de permanência irregular, problemas legais ou discrepâncias na informação prestada podem ser motivo de recusa.

Portugal não está sozinho neste esforço de clarificação. Vários países europeus, assim como Canadá e Austrália, têm vindo a atualizar os avisos sobre viagens para os EUA, chamando a atenção para temas como violência armada, tensões sociais, regras de entrada e restrições ligadas ao ESTA. Em alguns casos, como o da Noruega, é explicitado que os formulários norte‑americanos só aceitam dois géneros (masculino e feminino), o que pode gerar incompatibilidades com sistemas nacionais mais inclusivos.

Para quem viaja a partir de Portugal, a mensagem é clara: ir aos EUA  já não é uma viagem “automática”. Convém ler com atenção o que diz o Portal das Comunidades Portuguesas, confirmar se o seu histórico de viagens e a sua situação documental não o excluem do ESTA, e perceber que identidade de género e presença nas redes sociais passaram a fazer parte da equação.

VEJA TAMBÉM

Em destaque

Scroll to Top